Sobre seguir o coração e como isso pode mudar concretamente a sua vida!

Há um ano atrás – dia 9/2/16 – era o dia da celebração do ano novo tibetano – Losar – e era também o meu aniversário! Acordei cedo e fui a um templo budista celebrar com eles. Afinal, era muito auspiciosa essa sincronicidade!! =)

praying-flagsO dia foi gostoso e no final da tarde, fui à comemoração de aniversário de uma amiga. Amigos, música boa, lugar lindo. Tudo indo muito bem, até que, um pouquinho antes de ir embora, escorreguei no chão molhado e desloquei a patela!!! Primeiro pensamento ao cair no chão (depois de instintivamente trazer meu joelho de volta para o lugar): “não acredito que isso está acontecendo justo hoje!!! Nada auspicioso!!!” Rsrsrsrs… E no entanto, talvez esse tenha sido um dos fatos mais auspiciosos do meu ano!!! Quanto aprendizado, quantos desdobramentos vieram daí.

Vamos voltar um pouquinho no tempo. Dezembro de 2015. Depois de 13 anos trabalhando como conciliadora, a Comissão onde eu trabalhava precisou cortar custos e meu contrato foi encerrado. Era um trabalho muito conveniente pois as audiências eram eventuais e isso me deixava livre para trabalhar com minha verdadeira paixão – a Cura – e também me dava liberdade de viajar bastante, com a segurança de um salário mensal.

Naquela tarde, senti medo, ansiedade, insegurança. Como eu me sairia como autônoma, trabalhando apenas com a Cura? Será que eu daria conta de manter meu ritmo de viagens? De seguir meus sonhos? E agora??? A noite chegou e essa sensação ainda me acompanhava. No entanto, já bem tarde da noite, uma ideia visitou meu coração e chegou com tanta intensidade que me manteve sonhando acordada quase a noite inteira: agora estou livre e posso viajar pelo tempo que eu quiser!!! E comecei a sonhar em passar 3 meses fora do Brasil, em meio à natureza, onde eu pudesse descansar a mente e deixar meu coração e meu instinto falarem.

Mas logo nos dias seguintes, me deixei ser tomada pelo medo de partir, afinal, agora não tinha mais uma entrada regular de dinheiro. Como eu me manteria por tanto tempo? E meus clientes? Minhas palestras? Não seria esse um momento ruim para sair? Quem sabe mais ao final do ano, depois de consolidar um pouco melhor as coisas? E a energia murchou. O instinto foi abafado. A voz da mente era alta demais.

Voltando ao fatídico 9/2/16, eu não tive coragem de parar por conta própria, mas a Vida me parou!!! Em razão de um inesperado “erro” médico (apesar de não existir erro num plano maior), passei alguns meses envolvida basicamente com a minha recuperação – mas não em meio à natureza, não em ambientes que silenciassem a minha mente… Foram 3 meses (!!!) com muletas e sem dirigir, depois mais 1 mês retornando aos poucos a independência, na casa dos meus pais. Imaginem a cura que adveio daí… O universo é mesmo sábio…

follow-your-heartEnquanto estava literalmente de “perna pro ar”, resolvi escutar umas palestras que já estavam no meu pendrive há vários meses e eu nunca encontrava tempo para ouvir. Eram de um australiano que fala da importância de seguirmos nossa intuição, nosso instinto, e como devemos agir imediatamente em resposta a essa intuição. Quando seguimos esse sentimento profundo, ou seja, quando ouvimos a voz da Vida falando conosco, Ela (Vida) também age a nosso favor!!! Só precisamos confiar!!!

Bom, isso foi tudo o que não aconteceu naquele dezembro de 2015, quando deixei a mente apagar meu sonho. Mas eu estava decidida a não deixar isso acontecer mais, a nunca mais silenciar minha intuição! E essa decisão me levou a Nova York, de muleta e tudo, para conhecer e ouvir pessoalmente as palavras do Amir Zoghi, o palestrante.

Desde então, tenho estado super atenta a essa voz e em como ela se manifesta em mim. Cada pessoa irá ouvi-la ao seu jeito. Em mim, muitas vezes, ela vem na forma de um calor intenso que sobe do corpo para a cabeça, confirmando alguma decisão importante que eu esteja por tomar (mesmo que eu nem tenha me dado conta disso ainda).

Outra ferramenta que venho usando ao tomar decisões, caso essa voz não se manifeste de forma tão evidente, é me perguntando: estou fazendo (ou deixando de fazer) algo por amor ou por medo? E a única decisão final aceitável, obviamente, é o amor!

3-olhosEm razão disso, muitas coisas interessantes aconteceram durante o ano de 2016 e, recentemente, minha intuição me trouxe à Índia! Eu vi a postagem de um curso e imediatamente o calorão subiu à minha cabeça. Eu não tive nenhuma dúvida de que eu tinha que vir para cá. No dia seguinte, já paguei a entrada do curso. Nesse momento, eu não tinha todo o dinheiro para pagar o curso e os custos da viagem. Tinha acabado de reformar minha sala e meu foco financeiro estava em outro lugar. Realmente, não tinha planos de viagem. Mas a voz era clara! Confiei e agi imediatamente!! Assim, a Vida também fez sua parte e o dinheiro apareceu!! Assim funciona a lei do Universo… A Vida responde não ao nosso ego, não à nossa mente, ao nosso simples querer, mas sim, aos nossos sentimentos profundos, ao nosso coração, à nossa intuição e instinto! O desafio é usar a mente apenas para os assuntos pertinentes à mente e abrir espaço para ouvir e deixar coração-instinto decidirem os assuntos que lhes são pertinentes!!! Afinal, o coração SABE, quem duvida é a mente!

 

 

Essa tal felicidade…

Buscamos avidamente por algo que parece quase inalcançável. Todos já sentimos seu delicioso sabor e isso nos faz querer mais e mais. No entanto, parece que estamos nos perdendo justamente na busca. Procuramos fora algo que somente pode ser encontrado dentro de nós. Procuramos por algo que já temos! E assim nos perdemos de desfrutar a mais simples das criações: a felicidade! Sim, é extremamente simples! E talvez, justamente por procurá-la na complexidade, as pessoas estão falhando em encontrá-la.

cachorro-fofoAlguma vez você já sentiu o coração totalmente preenchido e grato ao admirar um nascer ou um por do sol? Uma cachoeira? Uma paisagem exuberante? Ou quem sabe o sorriso genuíno de um bebê, a inocência de uma criança? Um animal de estimação fazendo suas fofuras? Nesses momentos, normalmente, não pensamos em mais nada, nem que seja por alguns segundos. São momentos plenos. E ali, nesse breve instante, sentimos o gosto que tanto buscamos.

Às vezes, experimentamos esse sabor por períodos mais prolongados, na experiência de um grande amor ou durante um projeto ao qual nos dedicamos de corpo e alma, porém, cedo ou tarde, a sensação de conexão se perde, deixando um vazio existencial, acompanhado de frustração, insatisfação e o retorno da busca.

margaridasMas, se observarmos todos esses exemplos e olharmos com sinceridade para a nossa vida, podemos perceber que inúmeros momentos de felicidade foram vividos simplesmente pela total conexão com o Agora, independente de coisas complexas e materiais. É a própria vida que nos preenche de Vida!

Assim, se nos focarmos em trazer mais presença a nossa vida, mais conexão com a nossa essência, com quem realmente somos (seres magnificentes e infinitos… mas isso é tema para outro texto), certamente descobriremos que a felicidade é abundante e está ao alcance de nossas mãos, ou de nossos corações, a cada instante, a cada alento.

Como fazer então para senti-la, se ela parece sempre tão distante? Que tal começar pela mais simples das ações? Respirando! Respiramos todo o tempo, porém, o fazemos de forma tão automática que perdemos a chance de fazer uso dessa ferramenta tão simples de conexão que já trazemos conosco.

Para respirar com presença não precisa de técnica alguma, precisa apenas de atenção ao ato em si de inspirar e expirar. Porém, com nossas vidas e mentes tão agitadas, o mais comum dos atos pode parecer difícil e os pensamentos invadem a mente, levando-nos para outros lugares e trazendo novamente o automatismo. Aí algumas sugestões que a yoga, a meditação e os ensinamentos que diferentes mestres (pessoas que alcançaram estados mais profundos de conexão com o Ser) nos trazem podem ajudar bastante.

Uma forma simples de manter a atenção presente na respiração é repetir silenciosamente algumas palavras enquanto respiramos. Podemos dizer ao inspirar: “inspirando, acalmo minha mente” e depois: “expirando, sorrio” (provavelmente, o sorriso aparecerá com naturalidade!). E seguimos assim por algumas repetições, que depois podem ser encurtadas simplesmente para “inspirando” e “expirando”. Simples assim!

Esse é um ensinamento profundo do mestre zen vietnamita Thich Nhat Hanh* que, ao mesmo tempo que nos mantém no presente, nos relembra de nossa felicidade inerente.

Sem se preocupar muito em marcar o tempo, você pode começar respirando por cerca de 1 minuto apenas e ir aumentando o tempo de acordo com a prática. Mas, na verdade, a menos que você queira se aprofundar na meditação, entre 2 e 10 minutos serão suficientes.

diamantina-por-do-solE se você aliar um sentimento a essa respiração atenta, alcançará ainda mais conexão e os benefícios se multiplicarão exponencialmente. Gratidão e amor parecem ser os sentimentos que nos trazem mais conexão. Basta trazer de volta alguma das situações que comentei no início desse texto: a imagem de uma criança ou de um animal amado, uma paisagem exuberante, ou qualquer coisa que preencha seu coração de gratidão e amor verdadeiros.

Faça uma ou várias vezes ao dia. Durante o banho. Ou enquanto caminha no corredor do escritório ou mesmo de um cômodo a outro da casa. Ao acordar, antes de olhar suas mensagens e redes sociais e deixar sua mente ser preenchida com as obrigações do dia, é um momento especialmente importante. A qualidade do seu despertar define, em grande parte, a qualidade do seu dia.

Mas não acredite em nada do que eu falei aqui! Experimente e sinta por si mesmo! Você aceita então o desafio de praticar a respiração atenta, unida a um sentimento, por 30 dias? Depois me conte como foi e os benefícios que você experimentou em sua vida. Acredito verdadeiramente que os momentos de felicidade se tornarão muito mais presentes, até o dia em que essa prática se torne seu estado natural e a felicidade, sua amiga íntima.

* Thich Nhat Hanh. Paz a Cada Passo: Como Manter Sua Mente Desperta no Seu Dia-a-Dia (Ed. Rocco)

Desconexão, Reconexão e Vulnerabilidade

Há exatamente um ano atrás, meu website estava nascendo! E é com muita alegria que hoje, inauguro a sessão do blog!! As postagens não terão um intervalo regular e definido, pois isso não funciona muito bem comigo. Mas sempre que surgir uma inspiração, algum assunto interessante, postarei por aqui. Ideias são sempre bem vindas! Se você tiver algum tema que gostaria de ver tratado aqui, compartilhe comigo e assim vemos o que irá emergir…

Se quiser cadastrar-se para receber as postagens desse blog por email, pode fazer isso no canto inferior direito da página do blog. E se gostou da publicação, que tal compartilhar?!

E agora, vamos ao primeiro post!


Sempre que dou palestras sobre A Reconexão, alguém pergunta quando e porque fomos desconectados. A resposta não é simples, há várias camadas de resposta. Acredito que a desconexão ocorreu há séculos atrás mas, sem dúvida, estamos perpetuando-a de inúmeras maneiras. A Reconexão, como o próprio nome já diz, nos traz uma solução para essa questão e percebemos como essa reconexão – consigo mesmo e com o todo – vai amadurecendo, aprofundando e desdobrando-se ao longo de toda a nossa vida.

Mas, tanto nas palestras quanto após os atendimentos, as pessoas sempre querem saber se há algo que elas precisem fazer para ajudar o processo. Tecnicamente, a resposta é “não”. Não há nada que precisemos fazer. O processo acontece por si só, uma vez que passamos a vibrar numa frequência mais elevada e nossa troca de luz, energia e informação com o Campo* à nossa volta se acelera (*esse campo de força, de energia que está conectado a todas as coisas que existem no universo, mecanismo central da nossa existência. Será tema de uma futura postagem). Ocorre um alinhamento com a nossa essência e, uma vez alinhados, nossas decisões, atitudes, aquilo que atraímos ou repelimos da nossa vida estarão em consonância com esse alinhamento.

No entanto, ao colocarmos luz, consciência, sobre algumas de nossas atitudes ou convicções internas, podemos impulsionar ainda mais esse processo. Afinal, consciência é tudo que há!

E aí surge um tema tão delicado quanto vital para o nosso sentimento de conexão, a vulnerabilidade. Associa-se a vulnerabilidade à debilidade ou fraqueza. No entanto, ao contrário, assumir nossa vulnerabilidade demanda coragem e autenticidade!OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Originalmente, a palavra coragem significava “contar a história de quem você é, com todo o seu coração”. Haja coragem (e humanidade) para se mostrar inteiro ao mundo dessa forma!! E no entanto, somos HUMANOS, seres sensíveis, sencientes, imperfeitos (e perfeitos, ao mesmo tempo) e intrinsicamente vulneráveis.

Mas, a vergonha de nos mostrarmos inteiros, imperfeitos, associada ao medo de não sermos aceitos, de não sermos merecedores de conexão, é justamente uma das causas que nos desconecta. Deixamos de ser quem somos para ser quem achamos que deveríamos ser. E isso aprofunda nossa desconexão, trazendo dor e falta de propósito à vida. E assim, precisamos anestesiar-nos! Somos a população mais endividada, obesa, viciada e medicada da história! Mas, como não podemos anestesiar seletivamente as nossas emoções (somente as “ruins”), quando anestesiamos, anestesiamos… tudo: alegria, gratidão, felicidade. E precisamos anestesiar a dor que advém daí… e o ciclo se perpetua.

O que fazer então para quebrar esse ciclo e transformar nossas vidas? O primeiro passo é tomar consciência! Olhar para si mesmo com sinceridade e compaixão e sentir GRATIDÃO por ser quem você É! Sim, com todas as suas imperfeições, merecedor(a) de amor e pertencimento sendo exatamente quem você é. E ser grato(a) pela vida e por tudo que ela nos traz a cada instante, incluindo os momentos mais difíceis. Afinal, se estamos experimentando a dificuldade e a nossa vulnerabilidade é porque estamos vivos!

espelhoO próximo passo, que seguirá naturalmente se experimentarmos esse sentimento de gratidão, será nos deixarmos ser vistos exatamente como somos. Não é algo confortável, mas é altamente necessário, se quisermos abandonar a mecanicidade das relações e recuperar nossa humanidade.

E amar… amar com todo o nosso coração e agir inspirado por esse amor, mesmo que não haja garantias pois, na verdade, nunca há!!

Uma vez que A Reconexão vai alinhando-nos com a nossa essência, com quem realmente somos, aos poucos, tudo isso vai tornando-se mais fácil e natural. Porém, uma dose a mais de consciência certamente nos trará empoderamento, fortalecendo nosso papel de protagonistas da nossa própria história.

Esse texto foi inspirado numa palestra da Brené Brown, no TEDx, que me marcou profundamente. Recomendo muito que assistam!! O Poder da Vulnerabilidade